PEREGRINO
Caminheiro
Eu me chamo caminho, as vezes sou longo, cansativo, muitos que me seguem, sem paciência se desviam, desiste de mim, logo adiante se tomba no leito dessa via simples, mas acolhedora.
Cai por terra como um soldado enfraquecido desanimado, no primeiro obstáculo se rende esmorecido.
Eu sou o caminho, se você vir comigo eu te levarei até onde você precisa chegar, não procure conforto de largas margens, nem calor para seus pés, as calosidades e ferimentos ao insistir, no momento, terminará com as maledicências, assim as curas virá para as dores da carne.
Um pé calcou, firmou equilíbrio, marcou o solo com uma pegada, direção sentido de ida, primeiro o calcâneo depois os dedos pequenos na planta da frente junto o dedão, sentido de ida, visando um destino, marcando o chão.
Estrada vazia distante horizonte, reta traçada, chegada prevista, pisando em falso, buracos na via, o sopro do vento, de noite e de dia, movimento lento que tardia, Caminha Francisco de pernas cansadas pisando descalços sofrendo na sola, impacto no chão.
Um homem sem nada, descamisado, de cabeça ao sol, deschapelado, cabelos aos ventos em despenteio, desprovido de tudo, sem origens, de onde veio, só imprevisto de memória ofuscada, vagas lembranças, exposto ao léu.
tão esquisito, chamam de cristo o tal infiel
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